domingo, 14 de junho de 2009

Toximpatia..

A toximpatia é como o fermento. O fermento transforma a farinha num pão saboroso e leve. Para os outros. Nós que sofremos de Toximpatia damos o duro para tornar as coisas um pouco menos duras, usando o nosso açucar pessoal para fazer limonada a partir dos limões da vida.

2 comentários:

  1. Os "Limões" SuzyF....
    Lembras-me Eugenio Montale... Obrigado!

    OS LIMÕES

    Escuta-me, os poetas laureados
    circulam apenas entre plantas
    de nomes pouco usados: buxeiros alienas ou acantos.
    Eu, por mim, prefiro os caminhos que levam às valas
    cheias de mato onde em lamaçais
    já meio secos meninos apanham
    alguma esquálida enguia:
    as trilhas que bordejam os taludes descem por entre os tufos de caniços
    e se metem nas hortas, entre os pés de limão.

    Tanto melhor se a algazarra dos pássaros
    se dissipa engolida pelo azul:
    mais claro se escuta o sussurro
    dos galhos amigos no ar que mal se move,
    e as sensações deste cheiro
    que não se larga da terra
    e faz chover no peito uma doçura inquieta.
    Aqui se cala por milagre
    a guerra das desencontradas paixões,
    aqui até a nós, os pobres, toca uma parcela de riqueza
    e é o cheiro dos limões.

    Vê, neste silêncio no qual as coisas
    se entregam e parecem prestes
    a trair o seu último segredo,
    às vezes esperamos
    descobrir um defeito da Natureza,
    o ponto morto do mundo, o elo que não prende,
    o fio a desenredar que enfim nos leve
    ao centro de uma verdade.
    O olhar perscruta em volta,
    a mente indaga concerta desune
    em meio ao perfume que se espalha
    enquanto o dia enlanguesce.
    São os silêncios em que se vê
    em cada sombra humana que se afasta
    alguma Divindade surpreendida.

    Mas a ilusão se desfaz e o tempo nos devolve
    à cidade ruidosa onde o azul mostra-se
    apenas por retalhos, no alto, entre as cimalhas.
    Castiga a chuva a terra, então; se espessa
    o tédio do inverno sobre as casas,
    a luz torna-se avara — a alma, amarga.
    Quando um dia de um portão malfechado
    entre as árvores de um pátio
    nos surge o amarelo dos limões;
    e no coração o gelo se dissolve,
    e no peito estalam
    suas canções
    as trombetas de ouro da solaridade.

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  2. É verdade!!

    Foi mesmo a pensar no Eugenio Montale que escrevi isto!!

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